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História da COLUNA 1 -
@lô Mestre
Assim tudo começou....
Bom pessoal, meu nome é Ricardo Stypurski Pereira Junior, tenho 29 anos de
idade e sou natural do Rio de Janeiro. Minha paixão pelo samba é muito
antiga, desde que assistia os desfiles de escola de samba com minha avó e
minha mãe na da década de 80 ... Minha primeira paixão enquanto escola foi
a Imperatriz, principalmente por adorar os sambas da escola de 85, 86 e
87. Mas em 1988 tudo mudaria, quando assisti a apuração do desfile na casa
dos meus primos em Vila Isabel e a escola do bairro sagrou-se campeã do
carnaval. Fomos todos pra 28 de setembro comemorar o feito e a partir de
então passei a amar a Vila Isabel como escola do meu coração (amor que
cultivo até hoje).
De 88 a 93 passei a acompanhar os desfiles de carnaval como um louco,
atento a tudo que saia em jornais, revistas e TV mas nunca tinha ido a uma
quadra, até que em 1993 fui pela primeira vez na quadra da Vila e aí me
apaixonei de vez. A partir daquele momento não mais poderia largar o
carnaval e percebia que a tendência era cada vez mais estar inserido nele.
Resolvi então aprender a tocar tamborim, pois bateria de escola de samba
sempre me fascinou. Ganhei um de presente aos 18 anos e ensaiava em casa
tentando acompanhar as fitas de sambas ao vivo que já gravava e
colecionava desde 84. Foram dois exaustivos meses de ensaios até que me
sentisse preparado para tentar começar a tocar na bateria.
Chegando ao ensaio num sábado a noite comecei a tocar na bateria junto aos
poucos tamborins que lá estavam e aos poucos com a minha perseverância fui
me enturmando com o pessoal da ala. Não faltava um ensaio sequer, uma
saída da escola, uma gravação sequer, eu estive presente em tudo que a
escola precisou de mim naquele ano de 94 para 95.
Paralelamente aos ensaios da Vila, alguns amigos me chamaram para ir a
algumas escolas dos grupos de acesso, e assim comecei a frequentar a Lins
Imperial, a Difícil é o Nome de Pilares e a Em Cima da Hora, desfilando
nas três no carnaval de 95 com grande facilidade, afinal eram escolas que
necessitavam de ritmistas. Já na Vila, a escola em que mais ensaiei, um
fato inusitado: no dia da entrega da fantasia fui surpreendido pelos
diretores de bateria da escola que não me deram a fantasia que tenho
certeza que merecia. O mundo desmoronou, não tinha reação naquele momento,
não sabia o que fazer ... Era o maior sonho da minha vida !!! Cheguei em
casa e me tranquei no quarto deseperado ! Chorava, não entendia o porque
daquela situação, prometi a mim mesmo que nunca mais pisaria numa quadra
de escola de samba ! Foi muito triste ! Mas com a ajuda do pai de um amigo
também ritmista da bateria, que era então vice presidente da Vila consegui
uma fantasia emprestada pra desfilar em cima da hora, de uma pessoa
envolvida no tráfico que por motivos óbvios não poderia "descer" para
desfilar e guardaria a roupa apenas por preciosismo.
Depois do carnaval 95, já com vistas ao carnaval 96, consegui me firmar na
ala de tamborins da Vila Isabel conseguindo aos poucos respeito dos
diretores de bateria e não tendo mais problemas para desfilar na escola. E
esse ano de 96 é um ano em que inicio minha carreira de diretor de bateria
na Lins Imperial (fazendo a ala de tamborim da escola) e tenho uma viagem
para o Japão junto com mais 150 pessoas, levando a cultura do Rio de
Janeiro a Kobe, a cidade abalada pelo terremoto. O grupo que viajou se
chamava Rio Samba Show e quem me indicou para ir foi o mestre Paulinho da
Lins que era um grande amigo na época.
Permaneci na Lins Imperial durante os anos de 96, 97 e 98 sendo campeão em
97 com um desfile memorável da bateria da Lins. Em 99, o mestre Ciça me
convidou para fazer parte da direção de bateria da Estácio, numa nova
proposta que estava surgindo na bateria da escola. Aceitei prontamente e
lá estive nos anos de 99, 2000 e 2001 (acumulando a Lins Imperial que era
de outro grupo). Fiz em 2000 seguramente um dos meus melhores trabalho de
tamborim, com uma apresentação irretocável da bateria da Estácio. Em 2000,
mestre Celinho me convidou para assumir a Unidos da Tijuca onde permaneci
até o carnaval de 2005, muito feliz diga-se de passagem, e onde obtive o
reconhecimento como um dos melhores diretores de tamborim do Rio (dizem né
hehe).
A partir de 2003, cheguei a mestre de bateria da Paraíso do Tuiuti (escola
do bairro de São Cristóvão que integrava o grupo A do Rio), e ai uma nova
fase na minha carreira de sambista se inicia. Tive que aprender (e
continuo aprendendo até hoje) a difícil arte de ser mestre de bateria, uma
função onde o conhecimento técnico, a política com os ritmistas e
diretores e uma pressão muito forte caminham muito próximos.
Na próxima coluna falarei sobre o início do projeto Tamborim Sensação e
sobre o meu início como mestre de bateria. Até lá !!!
Ricardo
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