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História da COLUNA 5 -
Pequenas Escolas, Grandes Passados
  
O tema da nossa coluna dessa vez levanta a questão
de pequenas escolas de samba do Rio de Janeiro nos
dias de hoje ou nem existem mais e que já tiveram
bons momentos no carnaval carioca.
   Começo falando por exemplo da Engenho da Rainha,
que hoje está perdida em pleno grupo D da Associação
das Escolas de Samba, desfilando em plena Intendente
Magalhães na 2ª feira de carnaval, mas que sempre foi
famosa pela sua bateria maravilhosa. Era uma bateria
que na época em que era comandada pelo mestre Cosme principalmente
era sempre aguardada pelas bossas criativas e ousadas que fazia,
sem falar no intérprete Ciganerey que começou na escola e defendia
belos sambas da Engenho na Sapucaí. A Engenho da Rainha nunca chegou
a desfilar no grupo Especial, e um dos seus melhores momentos foi em
1995 no grupo A com o enredo sobre Yolhesman Crisbeles,
um verdadeiro shooooow !!!
   E tem mais, a querida Em Cima da Hora do maravilhoso samba
Os Sertões de 1976 que não visita o grupo especial desde
1985 ! Uma escola que quase conseguiu chegar ao Grupo
Especial em 2000, mas no desempate perdeu para a Tuiuti.
Seu futuro hoje poderia realmente ser outro se tivesse conseguido.
Nesse mesmo gancho podemos citar a Arrastão de Cascadura que no ano
de 1995 ficou em 3º lugar com o enredo Frevança um belo samba
enredo perdendo para a Império da Tijuca, e poderia ter chegado
ao Grupo Especial no ano seguinte. A questão é que realmente esses
resultados foram determinantes para essas escolas e essas comunidades,
que não conseguiram se reerguer. É triste ver uma escola como a Unidos
do Jacarezinho amargar um grupo C, com o chão e a bateria que tem !
É triste ver uma Unidos de Lucas de “Sublime Pergaminho” voltar pra
Intendente Magalhães depois de quase conseguir se firmar no grupo B
da Sapucaí ! São escolas que já paticiparam do Especial, e a Jacarezinho
tem 20 anos que não consegue pisar no grupo mais forte das escolas de samba,
já que a última vez foi em 1989 com um enredo sobre astrologia. Realmente uma
pena ! Pelo menos, para uma satisfação pessoal minha muito grande vou poder
assistir Jacarezinho e arrastão de volta ao grupo B na terça feira de carnaval ...
Em tempos tão difíceis isso já é uma vitória ...
   Ainda nesse barco estão a Lins Imperial que não vai ao especial desde 1991
(com o enredo sobre Chico Mendes) e a Unidos do Cabuçu, que em 1990 fez
sua última passagem pelo grupo mais forte com o enredo Será que eu votei
certo para presidente ?. A Lins oscila entre grupo A e grupo B a mais de
10 anos (mais grupo B que grupo A) e a Cabuçu está na Intendente Magalhães
a um bom tempo sem muitas perspectivas de volta infelizmente, num grupo que
também está muito puxado, e vale a Sapucaí na terça feira de carnaval !
   Nesse mesmo patamar está o Arranco, que desceu injustamente em 1989 com o belíssimo
enredo Quem vai querer ? e nunca mais brilhou como escola forte. Tuiuti chegou no
grupo Especial em 2001 e também foi devolvida ao grupo de acesso no ano seguinte.
São Clemente e Santa Cruz não conseguem se firmar no grupo de cima, sempre sobem
num ano com muito sacrifício fazendo desfiles arrasadores no grupo A e quando
chegam no grupo de cima mesmo não errando caem de novo. Sem falar nas escolas
que enrolaram a bandeira como a Tupy de Brás de Pina, Independente de Cordovil,
Vizinha Faladeira (que voltou em 1995) e algumas outras menos conhecidas no grande público.
   A verdade é que hoje em dia o poder financeiro determina os resultados, e a má gestão
de algumas escolas compromete seus resultados. O péssimo aproveitamento da pequena
verba dada para a confecção do carnaval e o amadorismo de algumas escolas em acha
r que qualquer um pode comandar uma bateria ou uma harmonia compromete o futuro de
belas escolas, enquanto vemos em paralelo o surgimento de outras, como a Viradouro
que tem uma gestão empresarial forte além de ajuda de patrono e a Grande Rio que
segue os mesmos moldes e conseguem se firmar no grupo Especial desbancando escolas
como União da Ilha, Império Serrano e Caprichosos de Pilares, ou a Vila de 10 anos atrás.
   É uma grande pena, um verdadeiro prejuízo para o carnaval perdermos
as pequenas escolas como as que citei nessa coluna, elas fazem muita falta
no nosso carnaval e nesses desfiles é que sobrevive o verdadeiro carnaval,
e não nas maravilhosas beldades e turistas que aparecem em plena Marquês de
Sapucaí brigando pelos holofotes e pelos contratos publicitários depois do
carnaval, pessoas que batem no peito para dizer que são escola mas que na
verdade não sabem nem onde fica a quadra da agremiação.
E vocês, o que acham disso ? Concordam que essas escolas fazem muita falta no nosso
carnaval ? Gostariam de ver essas agremiações mais fortes ??
Um abraço e até a próxima!
Ricardinho
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